Estive, no período de 20 a 23 de setembro, em Chapada do Norte, em uma das cidades que compõem o Vale de Jequitinhonha, ministrando curso pelo Senar Minas. Lá, por felicidade pude assistir a entrega à comunidade da imagem de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma relíquia do século XVIII, totalmente “Restaurada”. Para quem trabalha com cultura, foi uma visão. Aquela recepção feita por gente simples, à maioria da Irmandade do Rosário. Todos de pé recebendo sua santa de devoção.
A emoção do povo em assistir a retirada de cada pano, cada proteção envolvendo a imagem, tudo acompanhado ora de silêncio respeitoso, ora por cânticos e preces e por fim lágrimas., quando surgiu inteira a imagem resplendorosa em seus detalhes.
Indescritível o que vi, no Vale do Jequitinhonha, exatamente na Chapada do Norte, região considerada carente, habitada por pessoas pobres. A riqueza lá tem outros valores. Valores que estamos perdendo por aqui, nós que nos julgamos de região privilegiada.
Comentei com um amigo sangonçalense o que vi e que meu sonho antigo de assistir a mesma cena aqui, com nossas imagens principalmente de Nossa Senhora das Dores restaurada. Ele me escreveu...” vamos rezar para que Nossa Senhora do Rosário de Chapada do Norte ajude a Nossa Senhora das Dores de São Gonçalo”.
Rezar, talvez alguns leitores podem não acreditar, mas eu rezo. Fiquei pensando que às vezes os Santos esperam um pouco mais de nós do que só preces. Se tivermos um município divulgado como a quarta cidade que mais cresce é contraditório que em meio ao progresso percamos a identidade. Um povo sem memória é um povo sem cultura. Zelar pelo patrimônio é dever de todos. Prefeito, vereadores, autoridades, associações, escolas, povo. Se compararmos o que assisti emocionado no Vale do Jequitinhonha, pobres somos nós que não preservamos nossa identidade. Continuo rezando e fazendo a minha parte. Como este desabafo. E você caro leitor?
Arnaldo Mendes





